Fórmula para Emagrecer

Encerrei a coluna anterior destacando a importância de prevenir a obesidade. Este seria o assunto de hoje. Antes disso, entretanto, acho interessante abrir um espaço para que os pacientes sejam melhor informados sobre o uso de “fórmulas” para emagrecer. Estas fórmulas são medicamentos manipulados em farmácias próprias e, em geral, apenas um ou dois de seus componentes atuam como medicamentos anti-obesidade, e estas substâncias são as mesmas que existem nos medicamentos não manipulados. A associação destes agentes deve ser evitada devido ao maior risco por ela acarretado.

O que nos preocupa ainda mais é a associação de substâncias que podem provocar perda de peso sem alterar a gordura. Melhor explicando, os pacientes mesmo perdendo peso, na verdade, não estão emagrecendo! Um exemplo clássico é o uso indiscriminado, nestas fórmulas, de diuréticos e laxantes. Como aproximadamente 60% do nosso peso é constituído por água, qualquer modificação nesse compartimento provoca alterações rápidas de peso sem que haja diminuição na porcentagem de gordura. Outros componentes familiares para emagrecer são os hormônios da tireóide e seus derivados (T3, T4, Triac, etc....). Estas foram as primeiras substâncias utilizadas no tratamento da obesidade ainda no século XIX. Posteriormente verificou-se que, em parte, a perda de peso estimuladas por estes hormônios se devia a uma redução da massa muscular e não de gordura, provocando adicionalmente uma dificuldade maior em manter o peso perdido, deixando de ser recomendados para o tratamento da obesidade. Ademais, com o objetivo de promover perda rápida de peso, que não é hoje a razão do tratamento, estas substâncias acabam sendo utilizadas em doses ainda mais elevadas provocando alterações nos batimentos cardíacos (arritmias) e na pressão arterial. Mesmo os pacientes que tem indicação de uso destes hormônios devido a doenças da tireóide, não o devem fazer através de fórmulas, que nunca vão apresentar a precisão de dosagem que é necessária nesses casos. Por último, a adição de substâncias “naturais” não tem efeito comprovado e a sua segurança também não está estabelecida.

Por tudo o que foi comentado, é importante que o paciente que recebe uma receita de “fórmula para emagrecer”, obtenha do seu médico a explicação do motivo que o levou a manipular esse medicamento. O motivo pode ser redução de custo ou simplificação de uso (o paciente pode ter que tomar dois medicamentos que poderiam ser manipulados em conjunto) ou ele pode estar saindo do consultório com uma receita que além de não resolver o seu problema pode causar transtornos ainda maiores. Não existem fórmulas milagrosas para obesidade. O que existe na verdade é, na maioria das vezes, um paciente fragilizado e ávido por qualquer promessa de emagrecimento sendo alvo de indivíduos mal preparados ou mal intencionados.

Dr. João Luis Horta S. C. Lopes
Médico Endocrinologista do Albert Sabin Hospital e Maternidade

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