Dando continuidade aos artigos sobre drogas publicados neste mês, hoje falaremos sobre a maconha.
A maconha tem sido utilizada pelos seres humanos há aproximadamente 12 mil anos. O primeiro relato sobre o uso da mesma se encontra escrito em documento chinês de aproximadamente 3000 a.C. Foi difundida, então para a Índia, aparecendo em documentos de 2000 a.C. Trazida para o Ocidente pelos exploradores espanhóis, foi utilizada como fibra na feitura de cordas, tendo também sua utilização na medicina para dor, asma, convulsões e alterações psiquiátricas.
O uso da Cannabis como vemos hoje em dia se iniciou no México, sendo em seguida levada para os Estados Unidos, onde por suposta associação com o crime, passou a sofrer controle legal, na década de 30.
Basicamente afeta o comportamento e a mente, sendo que níveis baixos de THC no sangue produzem efeito semelhante ao álcool, ou seja, uma inibição discreta do sistema nervoso. Conforme o nível de THC aumenta, produz euforia podendo chegar a alucinações e aumento dos sentidos, especialmente a audição e a visão. Outros efeitos são alteração da coordenação dos movimentos, interferência na memória e, muito raramente, desorientação, pânico e alucinações mais graves. Não produz anestesia, coma ou morte quando usado isoladamente, porém devido ao seu uso combinado com álcool ser freqüente, poderá haver depressão da respiração e coma, com risco de vida.
Reduz a dor, a náusea, a pressão intra-ocular, relaxa as vias respiratórias e aumenta o apetite. Sua utilização na medicina tem sido nos casos de glaucoma (aumento da pressão intra-ocular), diminuição das náuseas em pacientes que fazem quimioterapia (tratamento medicamentoso do câncer), estimulante do apetite em indivíduos com AIDS, entre outras que estão sob pesquisa.
Seu uso crônico pode levar à diminuição da fertilidade no homem, alterações do ciclo menstrual e diminuição do peso e tamanho da cabeça em recém-nascidos. Estes bebês podem apresentar também excitação nervosa, sustos freqüentes e aumentos dos reflexos.
Durante a ação da droga pode-se sentir sede, aumento do ritmo do coração e observa-se o avermelhamento da conjuntiva dos olhos (olhos injetados). Sua tolerância e dependência ocorrem em doses muito altas usadas em intervalos muito curtos por muito tempo.
Irritabilidade, inquietação, calafrios, náuseas e até vômitos podem ser sintomas da falta (abstinência) da maconha. Já desinteresse, baixa performance escolar ou no trabalho e alterações de memória podem ser sintomas do uso contínuo e prolongado da droga.
A maconha é droga ilícita em vários países, sendo considerada uma droga “de passagem” para outras drogas.
Fumar maconha repetida e continuamente pode causar SINUSITE CRÔNICA; FARINGITE (inflamação na garganta) e ESPASMO DAS VIAS RESPIRATÓRIAS.
Dr. Sergio Roberto Zajac
Médico Responsável pela U.T.I. do Albert Sabin Hospital e Maternidade