Nós, profissionais que lidamos com obesidade, podemos separar os pacientes que nos procuram em três grupos. No primeiro grupo estão os pacientes que embora estejam com o peso normal, e alguns cientes disso, desejam emagrecer. Estes são orientados no sentido que não apresentam um problema de saúde e encorajados a manter hábitos saudáveis de vida incluindo alimentação correta, prática regular de exercícios e, quando necessário, apoio psicológico uma vez que a preocupação excessiva com a aparência e o peso pode desencadear distúrbios alimentares sérios como a anorexia e a bulimia nervosa, especialmente entre adolescentes.
No grupo oposto estão os chamados obesos graves para os quais atualmente o tratamento mais eficaz e cada vez mais seguro é o tratamento cirúrgico. A colocação através de endoscopia de um balão no estômago – o balão intragástrico – já é também um tratamento consagrado neste grupo com uma indicação especial em pacientes para os quais, a perda de peso promovida pelo balão, possibilita, posteriormente, uma cirurgia com riscos menores.
O terceiro grupo é formado por pacientes que não se enquadram no grupo anterior mas tem indicação médica para perda de peso. Para estes a proposta inicial deve ser a modificação do estilo de vida através da reeducação alimentar que inclui uma dieta equilibrada, individualizada que respeite o hábito alimentar e contemple a realidade sócio-econômica do paciente, sempre em associação com o aumento regular da atividade física. A psicoterapia pode ser necessária nos casos em que o hábito alimentar inadequado está associado a compulsão alimentar. Este transtorno atinge de 20 a 30% dos pacientes e pode ser definido como episódios nos quais a pessoa come exageradamente, em curo espaço de tempo e sem controle. Quando estas medidas não forem suficientes o tratamento com medicamentos deve ser considerado.
Infelizmente nesta área da medicina os pesquisadores e a indústria farmacêutica não tem dado uma resposta à altura do problema crescente que representa a obesidade. Só recentemente ela foi considerada doença e devido ao aumento da sua freqüência nos países desenvolvidos, entre os quais o Brasil, ela já é considerada ao lado das doenças do coração e do diabetes – intimamente ligadas à obesidade – como a doença do século XXI. A última estatística brasileira, datada de 1997, abrangendo a população adulta das regiões Sudeste e Nordeste, mostra que um terço está acima do peso e 7% dos homens e 12% das mulheres são obesos.
Apesar destes dados alarmantes uma revisão recente do último consenso latino-americano de obesidade reduziu de doze para apenas dois – Sibutramina e Orlistat – os medicamento recomendados para o seu tratamento, permanecendo outros três – Dietilpropiona ou Anfepramona, Femproporex e Mazindol – numa categoria especial com uso reservado no caso de falha ou impossibilidade na utilização dos dois primeiros pelo fato de serem medicamentos que podem provocar alterações psíquicas e dependência.
A Sibutramina e Orlisat têm ainda um alto custo, não são eficazes em todos os pacientes e quando seu uso é interrompido ocorre, invariavelmente, a recuperação do peso perdido, exigindo tratamento por tempo prolongado como qualquer outra doença crônica.
Por tudo o que foi comentado podemos dizer que a prevenção da obesidade é mais barata, fácil e eficiente que o seu tratamento e, por esse fato, ela será abordada na próxima semana. Aguardem!
Dr. João Luis Horta S. C. Lopes
Médico Endocrinologista do Albert Sabin Hospital e Maternidade